Cahier de Griffonnages

"O ideal seria uma que amasse fazer comparações de nuvens com vestidos, e peixes com avião;
Que gostasse de passarinho pequeno, gostasse de escorregar no corrimão da escada
E na sombra das tardes viesse pousar
Como a brisa nas varandas abertas...

O ideal seria uma menina boba: que gostasse de ver folha cair de tarde...
Que só pensasse coisas leves que nem existem na terra,
E ficasse assustada quando ao cair da noite
Um homem lhe dissesse palavras misteriosas ...
O ideal seria uma criança sem dono, que aparecesse como nuvem,
Que não tivesse destino nem nome - senão que um sorriso triste
E que nesse sorriso estivessem encerrados
Toda a timidez e todo o espanto das crianças que não têm rumo..."

(Manoel de Barros)

C´est moi!
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Cícero,
Canções de Apartamento

commoveblog:

(João e o Pé de Feijão - Cícero)


“Ninguém soube
que ele foi morar longe
não, ninguém soube
Não foi ponto
feriado ou desconforto
pra ninguém
Diz a lenda
que ele trocou suas certezas
por alguns sonhos mágicos
Ninguém soube
que ele foi morar
onde ninguém cabe
Não foi ponto
o comércio estava pronto
e vendeu bem
No dia de São Ninguém

Ainda não fazem pessoas de algodão
Ainda não fazem pessoas que enxuguem
suas próprias
mágoas”

"Vou pintar um lugar mais bonito, prá fazer meu festival…" - Cícero - Canções de Apartamento

Performance de Dani Greco no Festival BaixoCentro.

Saio pensando e remoendo este sentido da fala. O falar por falar, o ficar mudo, o silêncio. O incômodo. Seria mais incômodo ouvir pessoas falarem desenfreadamente ou as mesmas ficarem para sempre mudas?

Desestabilizou-me. Meu olhar e minha audição. Minha capacidade de percepção e de compreensão, a dificuldade em atender a imagem que estava sendo comunicada. No mundo das imagens e dos sons, no mundo da comunicação, onde ruídos são frequentes, onde conversas são sobrepostas, quando o ritmo, o volume e a cor destas falas predominam e se constrói um mundo a nossa volta, como lidar com o contrário?

Pergunto-me: será que estamos preparados para lidar com um mundo mudo? Onde pessoas apenas se comunicam por “caretas” e pelas pontas dos dedos. Onde apenas sons e ruídos são absorvidos, onde o timbre da voz não é mais escutado. Estamos preparados para reviver cenas do cinema mudo e darmos risadas? Estamos atentos a estas mudanças?

No mundo contemporâneo a crise entre sistemas é constante, e sempre ao entrar em crise, o sistema tende a se reorganizar novamente, de acordo com as novas informações adquiridas. O homem está preparado para lidar com crises? Ele tem conhecimento para reorganizar as informações e dar um novo norte as suas escolhas?

Muitas perguntas, talvez sem respostas. Talvez as respostas estejam de fato, mudas, sendo comunicadas inconscientemente através de imagens, de situações. Conseguimos percebê-las?

E o medo de mudar? E o medo de enfrentar o novo? E o receio de arriscar novos olhares, novas direções, indo na contra mão do que a sociedade nos diz hoje?

Ser contemporâneo com sucesso foi uma tarefa alcançada pelo cineasta. E a tarefa do espectador, qual é? Emudecer perante um mundo com vontades e desejos pré-determinados ou utilizar a fala para produzir novas percepções, conexões e um novo ambiente ao seu redor?

A resposta está em nós, em nossas ações de fala, em nossas ações de silêncio. Assim construímos o que queremos ser e o que queremos que os outros sejam para nós. Construímos nosso próprio filme.

commoveblog:

Tenham uma boa semana seres humanos!

Have a nice week human beings!

lalala human steps “amelia” (by fatovamingus)

(via commoveblog)

Fotos Novas - Auto Suficiência (Transforma meu Pranto em Dança)

Link: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10150584636749509.405126.524034508&type=1

New photos - Auto Sufficiency (Transforms my Tears into Dance)

commoveblog:

O com.move descobriu um cantinho novo na Avenida Paulista essa semana. Mais fotos em breve!

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com.move has found out a new place at Paulista Avenue (Sao Paulo) this week. More pics soon!

Just amazing…

commoveblog:

Já ouviu falar no LXD, uma série sobre um grupo de dançarinos extraordinários? (Site oficial)

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Have you heard of LXD, a legion of extraordinary dancers? (Website)

Infiltração
Infiltration

Infiltração

Infiltration

deh-oliveira:

Adele after.

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Adele depois.


#RollingintheDeep

deh-oliveira:

Adele before.

.

Adele antes.


#HometownGlory
when I met her!

Emoldurar-se: um triste retrato da sociedade capitalista. 

To frame yourself: a sad picture of the capitalist society.

Veja mais em (To see more)https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10150584636749509.405126.524034508&type=1&notif_t=like

Wando- Fogo e Paixão - ( Ao Vivo ) (by dfrevolutions)

(1945-2012)

‎”Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. 

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma”.

(Eu sei, mais não devia - Marina Colasanti)

Dance2XS Shake Down 05 (by JD2XS)

Onde tudo começou…

Where everything started…